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Aves: riqueza oculta dos parques de BH


Aves: riqueza oculta dos parques de BH

Flávia Carvalho

Você sabia que nem toda ave é pássaro, mas que todo pássaro é uma ave? Que muitas espécies de aves diferentes possuem características iguais, sendo diferenciadas apenas pelo canto? Além dessas, outras informações sobre essa riqueza ambiental que pouca gente vê, podem ser descobertas por meio da observação de aves.

Ouvidos e olhos bem atentos, disposição e muita tranquilidade. Estes são alguns dos requisitos para os interessados em observar aves apontados pelo biólogo ornitólogo Gustavo Pedersoli, durante palestra, no dia 5 de julho, no Parque das Mangabeiras. A atividade, além de ter como finalidade a pesquisa científica, pode ser praticada com fins de lazer, arte, mobilização social e educação ambiental. Apesar de ainda ser pouco difundida no Brasil, a observação de aves vem ganhando novos adeptos dia a dia no mundo inteiro, e os parques são um bom lugar para praticá-la.

Segundo Gustavo Pedersoli, que é membro da associação Ecoavis – Ecologia e Observação de Aves de Minas Gerais, cerca de 90% dos observadores de aves de todo o mundo concentram-se nos Estados Unidos. No Brasil a atividade ainda é muito incipiente. “No final de 2008 e no início de 2009, o número de observadores de aves aumentou muito, devido à queda do preço dos equipamentos de registro (como gravadores e máquinas fotográficas) e por ser vista como uma opção de liberar o estresse”.

De acordo com ele, qualquer pessoa pode observar aves em qualquer lugar. “As primeiras horas da manhã e as últimas da tarde são os melhores horários de observação, pois são os dois picos de alimentação. A época do ano mais propícia é durante a primavera, quando as aves ganham novas penas, fazem seus ninhos e intensificam seus cantos para atrair seus pares”.

Quando se sai a campo para observar, características como tamanho, proporções, formas, cores, comportamento, local, vocalizações e atividades migratórias das aves podem ser analisadas. A escolha de roupas discretas e materiais como binóculos, caderneta de anotações e câmara fotográfica também são importantes no momento da observação.

Dados do site Internet Bird Collection (http://ibc.lynxeds.com/) mostram que, no mundo, o número estimado de espécies de aves é de 9.863, sendo o Brasil o segundo lugar no ranking com 1.826 espécies registradas, atrás apenas do Peru. Em Belo Horizonte já foram registradas mais de 300 espécies. E este número cresce a cada dia. “Este ano publicamos (refere-se à Ecoavis) um artigo apresentando nove novas espécies de aves para a cidade: três no Parque das Mangabeiras, uma encontrada nos parques Roberto Burle Marx, Lagoa do Nado e Municipal Américo Renné Giannetti e cinco na Lagoa da Pampulha”, afirma Pedersoli.

 

Bate-papo sobre aves

Depois da apresentação do biólogo para o grupo de funcionários da Fundação de Parques Municipais (FPM) e alguns membros do grupo Teia (Projeto de Educação Socioambiental e Turismo), todos saíram caminhando por uma trilha do Parque das Mangabeiras para experimentar na prática os segredos da observação. Em pouco tempo, quase 15 espécies foram encontradas, como o cambacica; o pula-pula-de-barriga-branca e o jacu. “Foi a primeira vez que fiz observação dessa forma, com técnicas e dicas. É muito interessante. Você fica atento a detalhes que antes passavam despercebidos”, conta Afonso Ribeiro, técnico de meio ambiente da Divisão de Manejo da FPM.

Outro dado que chamou a atenção de todos, foi a de que nem toda ave é pássaro, mas que todo pássaro é ave. “Os pássaros representam apenas uma ordem de aves, a dos Passeriformes. No total são 26 ordens”, explica Gustavo Pedersoli.

Além do Mangabeiras, outros Parques, como o Municipal, Lagoa do Nado, Parque das Águas, Aggeo Pio Sobrinho, Jacques Cousteau, Guilherme Lage, Linear José Cândido da Silveira, Caiçara, Ursulina já foram visitados pela Ecoavis e são áreas propícias à observação de aves.

Crédito foto: Márcio Adauto

Postado por Jorge Espeschit em 07/07/2010

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